Quarta-feira, 2 de Abril de 2014

Quando fomos à pesca...

"Quando fomos à pesca ficaste feliz, um peixe mordeu o anzol, abraçaste-me com orgulho, disseste-me amo-te no meio de um beijo, depois olhaste-o nos olhos e obviamente pediste para o devolver à água.

Não sei para que perco tempo a escrever o que me lembro de ti, mas provavelmente é apenas a melhor forma de chorar."

Pedro Chagas Freitas - Prometo Falhar

/Ribeira do Porto

 

Publicado por Alexandra Rosa às 12:44

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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

A mão dela

"A mão dela tinha Deus dentro. Apertava-a, beijava-a com a minha mão

Há lá coisa melhor do que duas mãos que se beijam?
Apressada, com a minha mão urgente, a minha mão como se uma ambulância, e percorríamos as ruas mesmo que fossem as ruas que nos percorressem a nós, simples corpos sorridentes

Há lá coisa melhor do que dois corpos que se sorriem?

Sabia, com cada um dos meus dedos, com cada uma das minhas mãos, todos os riscos e ranhuras da mão dela; era ali, no por dentro das mãos que tocava, que ouvia as novidades, que lia os títulos das notícias, de todas as notícias que me importavam

Há lá coisa melhor do que ler as notícias na mão que se ama?

Não havia, nos passos que dávamos, qualquer distância andada, nem sequer um caminho a andar; éramos caminhantes de andar, viajantes do nosso tempo. E acreditávamos, todos os dias, em todas as respirações que respirávamos no espaço das nossas mãos, que o tempo era apenas o instante em que, juntos, parávamos o tempo
Há lá coisa melhor do que o instante em que se pára o tempo?
Recusávamos as palavras, até os gestos; e era assim que nos contávamos por inteiro.

Há lá coisa melhor do que aquela parte em que nos contamos por inteiro?

Não sabíamos, nunca soubemos, se era muito o tempo, o tempo das horas e dos minutos, que passávamos juntos; sabíamos que era, para nós, todo o tempo do mundo

Há lá coisa melhor do que sentir o tempo de sentir todo o tempo do mundo?

Sabíamos que era, como as nossas mãos eram, o tempo suficiente para aguentarmos o resto mais um tempo, para suportarmos o por fora das nossas mãos mais um tempo. Talvez, no momento em que as mãos se deixavam de amar, houvesse lágrimas, as lágrimas que se deixam cair sempre que algo cai dentro de nós. Talvez quiséssemos ficar por dentro das nossas mãos para sempre. 
E ficámos."
Pedro Chagas Freitas
Ricardo Reis e Alexandra Rosa - Vila Nova de Milfontes
Publicado por Alexandra Rosa às 09:30

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Terça-feira, 25 de Março de 2014

Ou julgavas que não?

“Quando dizes que julgar é mau: já estás a julgar.
E quando dizes que quem julga já está a julgar: já estás a julgar.
E quando dizes que quem julga quem julga já está a julgar: já estás a julgar.
E quando dizes que quem julga quem julga quem julga já está a julgar: já estás a julgar.
E quando. 
Tu sabes.
Se olhas para o que está à tua volta: já estás a julgar
Nenhum olhar é inocente. Nenhum humano é menos do que um juiz. Nenhuma vida é menos do que um julgamento. 
Ou julgavas que não?

Pedro Chagas Freitas

/Vila Nova de Milfontes

 

Publicado por Alexandra Rosa às 14:39

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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Alguém perdeu alguma coisa?

“Todo o tempo é perdido quando não é a caminho do que queremos, quando não é a caminho do que precisamos,
não se ganha tempo quando se perde um sonho,
e o que é dois já não vive a dois, o que é a dois já não consegue ser só a dois.

Se não consegue ser só a dois: então não é só amor.
Se não é só amor: então não é amor.”

Pedro Chagas Freitas

/Carnaval de Loures

 

Publicado por Alexandra Rosa às 14:04

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Quinta-feira, 13 de Março de 2014

As Palavras

“As palavras.

Valemos as palavras que valemos.

O resto é pele.

E a pele envelhece.

Só as palavras não envelhecem.”

Pedro Chagas Freitas

/Gouveia

 

Publicado por Alexandra Rosa às 16:31

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Sexta-feira, 7 de Março de 2014

Bastava que ela me dissesse: vamos.

“Bastava que ela me dissesse: vamos. E eu iria. Não sei para onde. Não imagino para onde. Mas iria. Feliz como nunca. Feliz como estou feliz sempre que estou com ela. Vamos, diria ela, nos meus sonhos mais utópicos. E eu iria. Mas não vou. Ela não diz. Ela não diz nada e eu vou aguentando esta sucessão de nadas que tento transformar em tudo. 
Amar é transformar uma sucessão de nadas em tudo.”
"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas
-/Ribeira do Porto
Publicado por Alexandra Rosa às 11:37

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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013

Inspirar, expirar

“Há alturas em que respirar é uma prova de heroísmo. 
Todas as respirações merecem um prémio.
Respirar todos os dias cansa.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Se te cansa lê-lo, imagina o que não cansa fazê-lo. Todos os dias, a toda a hora, sem parar.
Ter de respirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Ter de continuar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Inspirar, expirar; inspirar, expirar; inspirar, expirar.
Respirar todos os dias cansa.
Todos os velhos são medalhados olímpicos. 
Todos os velhos mereciam, todos os dias, quando acordam e estão a respirar, ter o direito de se deslocar a um estádio, subir ao primeiro lugar de um pódio no centro do relvado e ouvir, enquanto a bandeira do seu país era erguida e a multidão em polvorosa aplaudia, o hino nacional do seu país.
Todos os velhos são atletas olímpicos.”

Pedro Chagas Freitas - "In Sexus Veritas"

/Escadaria na Rua da Glória - Lisboa

/Rua da Glória - Lisboa

Sou:
Publicado por Alexandra Rosa às 15:39

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